Blog Performance A nova era do marketing orgânico
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A nova era do marketing orgânico

Publicado em:
11/02/2026
Tempo de leitura: 5min
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A nova era do marketing orgânico

Foto de Ricardo Monteiro
Ricardo Monteiro
Publicado em:
11/02/2026
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2026 começou com um meme tomando conta das redes e ganhando proporções gigantescas. O “sabor energético”, um whisky com gosto de energético da Mansão Maromba, marca do influenciador Toguro, viralizou como há muito tempo um meme não viralizava no Brasil.

E os resultados vão muito além de “viralizar”. Com uma estratégia de marketing muito bem pensada, e sem gastar R$ 1,00 em tráfego pago, Toguro conseguiu colocar sua marca em evidência para um público novo e, além disso, assumiu o cargo mais importante de marketing da Cimed, tornando-se o novo Head de Marketing e Comunicação da empresa.

Essa notícia mexeu com o mercado e incomodou muitos profissionais de marketing. O barulho gerado em cima disso só aumentou ainda mais a evidência e a visibilidade em torno do nome dele.

Mas o que pouquíssimos profissionais e empreendedores realmente perceberam é que, na prática, Toguro e Cimed foram cirúrgicos: uniram forças para alcançar um objetivo que tende a gerar muito lucro para ambos:

  • Aumentar o alcance orgânico da Cimed → redução brutal de custo de marketing.
  • Levar os produtos da Cimed e da Mansão Maromba para novos públicos → a Cimed se aproxima ainda mais da classe C e D, público do Toguro, e a Mansão Maromba entra em um mercado que talvez nunca imaginasse: a Faria Lima.

Neste blogpost, vamos falar um pouco sobre essa nova “era” do marketing orgânico, por que ele tende a ser um diferencial para empresas que querem escalar e qual a lógica por trás dessas estratégias.

O poder do orgânico

A Mansão Maromba, marca que entrou no radar do Brasil inteiro em janeiro e fatura múltiplos milhões, nunca investiu R$ 1,00 em tráfego pago.

Parece promessa de guru, eu sei. Mas, na prática, existem vários elementos por trás desses resultados que mostram o seguinte:

focar em orgânico pode, sim, virar o jogo da sua empresa.

Um ponto importante: viralizar não tem a ver apenas com número de alcance e visualizações. Eles são relevantes, claro, mas o verdadeiro impacto está em:

  • transmitir uma mensagem forte;
  • fixar essa mensagem na cabeça das pessoas;
  • fazer com que essas pessoas repliquem essa mensagem por conta própria.

E nisso, o Toguro é um mestre.

Antes de entrar na análise do canal orgânico em si, precisamos alinhar alguns pontos essenciais:

  • Gerar reconhecimento orgânico leva tempo e exige disciplina.
  • Não é sorte. Viralizar uma vez pode até acontecer “sem querer”; manter o burburinho exige estratégia.
  • Resultados orgânicos precisam ser, de fato, orgânicos. Não adianta maquiar com tráfego pago. Quem tem um orgânico forte pode desligar os anúncios e continuar vendendo.

Agora que esses pontos estão claros, vamos olhar o que torna uma marca forte no orgânico e como construir um perfil que realmente sustenta crescimento.

Conhecer muito bem o público-alvo

Conhecer o público é o ponto central para escalar no orgânico.

Num mundo em que as pessoas passam cada vez mais tempo no digital (inclusive os “haters”), quem tentar agradar todo mundo vai se frustrar rápido.

Ter um orgânico forte passa por entender profundamente quem é o seu público-alvo e direcionar sua comunicação para ele, e apenas para ele.

Esse tema costuma ser subestimado. Conhecer o público vai muito além de idade, gênero e classe social. É entender:

  • por que essa pessoa te segue;
  • o que ela espera de você;
  • e, principalmente, o que você está agregando de verdade na vida dela.

Olhe para o Toguro:

ele vem de origem simples, sempre falou de academia, suplementação, vida na comunidade, desafios da classe baixa. O público segue porque se identifica e admira essa trajetória.

Se, do nada, o Toguro resolvesse falar de beach tennis, faria sentido para o público dele? Provavelmente não.

Resultado: alcance orgânico despencando, engajamento caindo, marca descolada da base.

Muitas marcas erram exatamente aqui, inclusive na hora de contratar influenciadores. Olham apenas para likes e número de seguidores e esquecem de analisar:

  • engajamento real;
  • fit com o público;
  • identificação com a proposta da marca.

Ter clareza do seu produto e dos seus objetivos

Se você não conhece profundamente o seu produto e não tem clareza sobre qual dor principal ele resolve, é bem provável que a sua estratégia orgânica naufrague.

Parece básico, mas é muito comum as empresas se perderem, principalmente quando o produto resolve mais de um problema. A comunicação muda o tempo todo, a promessa oscila, o foco se perde.

Saber qual dor você resolve e qual objetivo você quer reforçar é essencial para qualquer estratégia orgânica.

Afinal, estamos falando de uma argumentação que você vai repetir e reforçar por muito tempo.

A Tay Dantas traz alguns pontos muito relevantes que se encaixam bem aqui:

Conheça e mapeie todos os seus concorrentes

Ao mapear seus concorrentes e entender:

  • posicionamento;
  • comunicação;
  • promessa;
  • dores que exploram,

fica muito mais fácil saber onde você deve se posicionar e que estratégia de comunicação faz sentido.

Criar um “mapa” dos concorrentes te dá uma visão estratégica mais elaborada e uma vantagem competitiva enorme.

Tenha inimigos

Calma, não é para sair arrumando briga na internet.

Quando falamos em “inimigos”, estamos falando em algo contra o qual sua marca se posiciona. É a ideia de lutar contra um problema concreto e se apresentar como a solução.

A Letz Gum, por exemplo, que produz chiclete energético, sabe muito bem quem são seus concorrentes diretos (Red Bull, Monster, Bally…) e qual é o seu “inimigo”:

  • a falta de praticidade para consumir energético;
  • os efeitos colaterais e o excesso de líquido.

Por isso, eles se posicionam como uma forma de ter energia sem precisar de uma lata inteira, sem se preocupar se está gelado e com muito mais facilidade para carregar no dia a dia.

Ao conhecer profundamente concorrentes e contexto, a marca identificou onde poderia morder uma fatia do mercado.

Ao definir o “inimigo”, ajustou toda a comunicação para combatê-lo e reforçar sua solução como prática, simples e, ainda assim, muito eficiente.

Marca pessoal forte

Muitos influenciadores digitais, sejam eles empreendedores, atletas, especialistas, entenderam uma coisa simoles e poderosa:

Imagem pessoal forte VENDE

Quando olhamos para as maiores marcas do mercado hoje, principalmente as nativas digitais, quase sempre encontramos um rosto forte por trás. Aquele modelo antigo de contratar uma atriz global ou alguém muito famoso, mas totalmente desconectado da marca, está perdendo espaço.

O consumidor atual compra de quem ele segue, conhece e confia. Esse é o maior poder do orgânico.

Vamos pegar o exemplo da Manu Citi. Manu se tornou uma das maiores influenciadoras digitais do Brasil e teve uma ascensão muito rápida. Em entrevista à Tay Dantas, ela contou que sua motivação para ir para o online era incentivar as pessoas a terem uma vida mais saudável e praticarem mais esportes.

Ao fazer isso, mesmo sem pensar em produto no começo, Manu foi construindo uma comunidade muito forte, que confia, acredita e se inspira nela.

Com o número surreal de seguidores e um engajamento altíssimo, as grandes marcas rapidamente perceberam seu potencial de vendas. Manu entendeu, na prática, que quando ela realmente acredita em um produto e ele conversa com o estilo de vida dela, ela vende muito.

Não demorou para vir o próximo passo lógico:
em vez de vender apenas para marcas parceiras, ela queria vender a própria marca, com um produto em que realmente acredita e pelo qual poderia “vestir a camisa”. Assim nasceu a Gummy.

Outros influenciadores seguiram o mesmo caminho, em nichos diferentes.
A própria Tay Dantas, por exemplo, usou anos de experiência em grandes empresas para criar sua própria consultoria de marketing, sexy, moderna, atual, com uma promessa clara: transformar marcas em grandes referências da nova geração. Resultado? Meta anual batida com folga.

Até executivos que estão à frente de marcas super consolidadas, como na própria Cimed, entenderam que fortalecer sua marca pessoal agrega muito mais valor ao negócio e ajuda a escalar resultados.

Quando olhamos esses exemplos, e o nosso próprio comportamento de compra, fica claro:

quando confiamos em alguém, estamos muito mais dispostos a testar o que essa pessoa indica.

Repetir seu ponto de vista

Repetir, repetir e repetir.

A Hanna Frankling é uma das maiores referências em conteúdo orgânico no Brasil e defende uma ideia simples e muito eficaz, aplicada há anos pelos grandes influenciadores:

quando você encontra um formato, uma mensagem e um ponto de vista que funcionam,
repita até ficar impossível das pessoas esquecerem.

A Principia é um ótimo case nesse sentido. É quase impossível nunca ter ouvido um anúncio que começa com:

“A Principia…”

Com foco em reconhecimento de marca e escala de vendas, eles decidiram que toda comunicação começaria da mesma forma. Resultado: martelaram o nome da marca tantas vezes que, quando o público pensa em cosméticos, o nome Principia vem automaticamente à cabeça.

O próprio Toguro, que motivou este texto, insistiu por anos no “sabor energético”. Mesmo sem ver um resultado explosivo de imediato, manteve o discurso alinhado com a estratégia, até a hora em que o mercado inteiro foi obrigado a prestar atenção.

Consistencia

A consistência é um dos pontos mais importantes e, talvez, o mais difícil dessa jornada.

Hoje, praticamente todo mundo conhece o meme do “sabor energético”. O que quase ninguém sabe é que esse produto está no mercado há três anos, e o Toguro vem repetindo esse mantra desde então.

Mas, afinal, o que é consistência?

Antes de sair postando qualquer coisa e tentando viralizar a todo custo (erro clássico de muitos profissionais de marketing), é fundamental ter uma estratégia clara.

Consistência é postar, defender e viver um estilo de vida, um posicionamento ou um assunto com regularidade, sem perder o foco a cada nova tendência.

Voltando à Manu Citi:

ela posta diariamente conteúdos mostrando o dia a dia, treino, alimentação, descanso, autocuidado. Isso não surgiu “do nada”. Manu manteve essa rotina por anos, construindo sua base e sua marca pessoal devagar, de forma 100% orgânica, sempre focada em uma coisa:

agradar, e servir, apenas o seu público-alvo.

Não existe fórmula mágica

Crescer um perfil orgânico vai ficar, sim, cada vez mais difícil. Quanto mais as redes crescem, mais conteúdo é produzido diariamente e, com isso, fica cada vez mais desafiador ser visto e ouvido.

Por outro lado, as marcas que conseguirem dominar o jogo do orgânico, aprenderem a falar com o público certo e gerarem engajamento real vão ter uma vantagem enorme. Em muitos casos, vão se tornar grandes marcas em pouco tempo, com custo de aquisição menor e margem mais saudável.

Num cenário em que os custos de mídia paga sobem e a concorrência fica cada vez mais preparada, o orgânico vira justamente a arma que pouca gente está olhando com seriedade, mas que tem altíssimo potencial de virar o jogo.

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